Revolut migrará contas de criptomoedas de brasileiros para entidade local em outubro

A Revolut começará a migrar as contas de criptomoedas de seus clientes no Brasil para uma entidade local a partir de 15 de outubro de 2026. A mudança foi comunicada por e-mail aos usuários da fintech e faz parte da adaptação da empresa às novas regras brasileiras para prestadores de serviços de ativos virtuais.

Segundo o comunicado enviado aos clientes e obtido pelo GranAlta, os serviços de cripto deixarão de ser prestados pela Revolut Technologies Singapore Pte. Ltd., identificada como RTS, e passarão a contar com a intermediação da Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais da Revolut Brasil.

Com a conclusão da migração, as operações realizadas pelos clientes brasileiros ficarão submetidas às leis e regulamentações do Brasil.

O que mudará para os clientes da Revolut?

Uma das principais mudanças será a moeda utilizada nas negociações. Depois da transferência da conta, o cliente poderá comprar e vender criptomoedas somente em reais.

De acordo com a Revolut, não será mais possível negociar criptoativos utilizando outras moedas disponíveis no aplicativo.

As principais alterações informadas são:

  • As negociações de criptomoedas serão realizadas exclusivamente em reais;
  • Os serviços passarão a ser intermediados por uma entidade da Revolut no Brasil;
  • Os contratos ficarão sujeitos à legislação brasileira, e não mais às leis de Singapura;
  • Os saldos existentes em criptomoedas não serão alterados durante a migração;
  • O cliente passará a ser reconhecido como titular legal dos ativos;
  • A Revolut Ltd. continuará responsável pela custódia das criptomoedas.

Na prática, o cliente continuará utilizando o aplicativo da Revolut, mas a estrutura jurídica responsável pela intermediação dos serviços será modificada.

Migração das contas brasileiras começará em 15 de outubro de 2026.
Migração das contas brasileiras começará em 15 de outubro de 2026.

Cliente precisa aceitar os novos termos

A Revolut orienta os usuários a analisarem e aceitarem os novos termos e condições dos serviços de cripto antes de 15 de outubro.

Ao aceitar o documento, o cliente concordará com a transferência de suas criptomoedas da estrutura atual de salvaguarda e com a aplicação das regras brasileiras ao serviço.

O aceite também confirma que as futuras negociações serão disponibilizadas exclusivamente em reais.

O que acontece se os termos não forem aceitos?

Segundo o comunicado, a ausência de aceite não impedirá a transferência. A conta de cripto será migrada automaticamente para a entidade brasileira, e os novos termos passarão a valer depois da conclusão do processo.

O cliente que não concordar com as mudanças e não quiser permanecer no serviço deverá vender seus criptoativos até 15 de outubro de 2026. Também será possível solicitar o encerramento da conta antes dessa data, sem cobrança.

A fintech afirma que pretende realizar a migração sem interromper o acesso dos usuários aos serviços.

Mudança acompanha regulamentação do Banco Central

A transferência ocorre em meio à implementação das regras do Banco Central para empresas que prestam serviços relacionados a ativos virtuais no Brasil.

A Resolução BCB nº 520 estabeleceu requisitos para a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais. A norma entrou em vigor em 2 de fevereiro de 2026.

Entre outros pontos, a regulamentação trata da organização das empresas, governança, gestão de riscos, segurança, prestação de informações e proteção dos ativos mantidos em nome dos clientes.

A migração anunciada pela Revolut é apresentada pela empresa como parte de sua adequação a esse novo ambiente regulatório.

Custódia continuará sob responsabilidade da Revolut Ltd.

Embora o cliente passe a ser considerado titular legal das criptomoedas, os ativos continuarão sob custódia da Revolut Ltd., conforme o comunicado.

Isso significa que o usuário não necessariamente terá acesso direto às chaves privadas usadas para movimentar os criptoativos. A compra, a venda e a guarda continuarão dependendo da estrutura da Revolut e de seus parceiros.

Nos termos publicados pela própria fintech, a prestação do serviço pode envolver bolsas parceiras e custodiantes designados. A empresa também alerta que uma eventual falha ou insolvência de algum desses participantes pode gerar perdas para o cliente.

Criptomoedas não possuem proteção do FGC

A mudança para uma entidade brasileira não transforma as criptomoedas em depósitos bancários nem cria cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Os próprios termos dos serviços de criptomoedas da Revolut informam que os criptoativos não contam com proteção do FGC ou de outro fundo garantidor.

Além do risco relacionado à custódia, o investidor permanece exposto à volatilidade. O preço de uma criptomoeda pode subir ou cair rapidamente, inclusive com possibilidade de perda de parte ou da totalidade do valor aplicado.

O que o cliente deve fazer agora?

Quem utiliza os serviços de cripto da Revolut deve acessar o aplicativo, conferir se recebeu a comunicação e ler os novos termos antes de tomar uma decisão.

Também é importante verificar:

  • Quando a conta será efetivamente migrada;
  • Quais moedas poderão continuar sendo negociadas;
  • As taxas aplicáveis às operações;
  • Como funcionará a custódia dos ativos;
  • Se haverá alguma mudança em transferências ou retiradas;
  • Quais informações poderão ser reportadas às autoridades brasileiras.

Em caso de dúvidas, a Revolut orienta os clientes a procurarem o atendimento disponível pelo chat do aplicativo.

Esta matéria possui finalidade informativa e não representa recomendação de compra ou venda de criptomoedas. Criptoativos apresentam elevada volatilidade e não possuem garantia do FGC.

Perguntas frequentes

Quando as contas de criptomoedas da Revolut serão migradas?

A Revolut informou que começará a migrar as contas dos clientes brasileiros a partir de 15 de outubro de 2026.

Será possível negociar criptomoedas em dólar?

Não. Depois da migração, as negociações de criptomoedas disponibilizadas aos clientes brasileiros serão realizadas exclusivamente em reais.

O cliente perderá as criptomoedas durante a migração?

Segundo a Revolut, os saldos existentes não serão afetados pela transferência da conta para a entidade brasileira.

O que acontece se o cliente não aceitar os novos termos?

A conta será migrada automaticamente. Quem não concordar deverá vender os ativos ou solicitar o encerramento da conta antes da data indicada pela empresa.

As criptomoedas da Revolut possuem garantia do FGC?

Não. Criptomoedas não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e estão sujeitas a riscos de mercado, custódia e volatilidade.

Redação GranAlta
Redação GranAlta

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