Quanto rendem R$ 100 mil em um CDB por dia e por mês?

Em uma simulação com CDI de 13,90% ao ano, R$ 100 mil aplicados em um CDB de 100% do CDI renderiam aproximadamente R$ 1.090,49 brutos em um período de 30 dias com 21 dias úteis. Depois do Imposto de Renda, o ganho líquido estimado seria de R$ 845,13.

Mas esse resultado não significa que o investimento depositará o mesmo valor na conta todos os dias. O CDI é calculado nos dias úteis, o rendimento sofre o efeito dos juros compostos e o valor líquido depende do prazo da aplicação.

Nesta matéria, você verá quanto R$ 100 mil rendem em CDBs de 100%, 110% e 120% do CDI, como funciona o cálculo diário e quais cuidados devem ser considerados antes de escolher a maior taxa.

Quais condições foram usadas na simulação?

Para que os três CDBs possam ser comparados nas mesmas condições, adotamos as seguintes premissas:

  • investimento inicial de R$ 100.000;
  • CDI de 13,90% ao ano;
  • período de 30 dias corridos;
  • 21 dias úteis no período;
  • resgate depois de 30 dias completos;
  • Imposto de Renda de 22,5% sobre o rendimento;
  • IOF igual a zero.

O cenário considera a taxa Selic em 14% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O CDI costuma permanecer muito próximo da Selic, mas não é exatamente igual a ela.

Como o CDI muda ao longo do tempo e cada mês possui uma quantidade diferente de dias úteis, os valores abaixo são uma simulação, não uma promessa de rentabilidade.

Quanto rendem R$ 100 mil em um CDB de 100% do CDI?

Com o CDI em 13,90% ao ano, a taxa equivalente fica próxima de 0,05166% por dia útil. Aplicada sobre R$ 100 mil, ela gera aproximadamente R$ 51,66 brutos no primeiro dia útil.

A partir do segundo dia, o rendimento é calculado sobre o saldo atualizado. Isso significa que o valor produzido no primeiro dia também passa a render, criando o efeito dos juros compostos.

Ilustração de dinheiro investido crescendo gradualmente com o efeito dos juros compostos.
Legenda/crédito: Imagem ilustrativa criada com auxílio de inteligência artificial.

Depois de 21 dias úteis, o resultado aproximado seria:

  • rendimento bruto: R$ 1.090,49;
  • saldo bruto: R$ 101.090,49;
  • Imposto de Renda: R$ 245,36;
  • rendimento líquido: R$ 845,13;
  • saldo líquido no resgate: R$ 100.845,13.

O imposto não incide sobre os R$ 100 mil investidos. A cobrança é feita somente sobre o lucro da aplicação.

Afinal, quanto o CDB rende por dia?

A resposta depende do tipo de média utilizada. No exemplo de 100% do CDI, podemos apresentar o resultado de três maneiras:

Forma de cálculoValor aproximado
Rendimento bruto médio por dia útilR$ 51,93
Rendimento líquido médio por dia útilR$ 40,24
Rendimento líquido médio por dia corridoR$ 28,17

Por isso, é possível encontrar na internet uma resposta dizendo que R$ 100 mil rendem aproximadamente R$ 52 por dia e outra indicando cerca de R$ 28. A primeira considera o ganho bruto médio por dia útil. A segunda divide o rendimento líquido pelos 30 dias corridos.

O valor de R$ 28,17 não é creditado diariamente. Ele é apenas o rendimento líquido total de R$ 845,13 dividido por 30.

CDB rende no sábado, domingo e feriado?

Os CDBs pós-fixados atrelados ao CDI acompanham uma taxa calculada em dias úteis. A B3 informa que a Taxa DI é expressa ao ano com base em 252 dias úteis e atualizada diariamente.

Isso significa que sábado, domingo e feriado não entram como novos dias na acumulação diária do CDI. O dinheiro continua aplicado, mas o período deve ser analisado pela quantidade de dias úteis.

Um mês com 20 dias úteis pode apresentar resultado diferente de outro com 22 dias úteis, mesmo que o valor investido e o percentual do CDI sejam iguais.

Quanto rendem CDBs de 100%, 110% e 120% do CDI?

Comparação do rendimento líquido de R$ 100 mil em CDBs de 100%, 110% e 120% do CDI.
Crédito: Simulação considera 30 dias, 21 dias úteis e CDI de 13,90% ao ano. Imagem criada com auxílio de inteligência artificial.

Utilizando as mesmas premissas para os três produtos, os resultados estimados seriam:

RentabilidadeRendimento brutoImposto de RendaRendimento líquido
100% do CDIR$ 1.090,49R$ 245,36R$ 845,13
110% do CDIR$ 1.200,16R$ 270,04R$ 930,13
120% do CDIR$ 1.309,95R$ 294,74R$ 1.015,21

Na simulação, o CDB de 110% do CDI produziria aproximadamente R$ 85 a mais, em termos líquidos, do que o produto de 100%. Já o CDB de 120% acrescentaria cerca de R$ 170 ao resultado líquido.

A diferença existe e favorece a maior taxa quando todas as outras condições são idênticas. Na prática, entretanto, os produtos podem ter emissores, prazos, limites e regras de liquidez diferentes.

Como funciona o Imposto de Renda do CDB?

Os rendimentos do CDB seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda. Quanto maior o prazo da aplicação, menor é a alíquota:

Prazo da aplicaçãoAlíquota sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Como a nossa simulação considera somente 30 dias, foi utilizada a primeira faixa, de 22,5%. A regra continua sendo a tabela regressiva, conforme conteúdo tributário atualizado da B3.

Normalmente, o imposto é retido pela própria instituição no resgate ou no vencimento. O saldo exibido no aplicativo pode mostrar o rendimento bruto ou uma projeção líquida, dependendo da plataforma.

Pessoa utilizando calculadora e calendário para analisar os impostos cobrados sobre um CDB.
Crédito: A tributação do CDB depende do prazo da aplicação e do momento do resgate. Imagem ilustrativa criada com auxílio de inteligência artificial.

E o IOF?

O IOF pode incidir quando o CDB é resgatado antes de completar 30 dias. A cobrança recai sobre o rendimento e diminui a cada dia: começa em 96% no primeiro dia, cai para 3% no 29º e chega a zero a partir do 30º dia.

Por esse motivo, a simulação considera o resgate depois de 30 dias completos. Quem retirar o dinheiro antes deverá descontar primeiro o IOF aplicável e depois o Imposto de Renda.

A página educativa da B3 sobre CDB alerta que resgates feitos em menos de 30 dias podem ter o rendimento bastante reduzido pelo IOF.

Um CDB de 120% do CDI é sempre melhor?

Não necessariamente. Se dois CDBs tiverem exatamente o mesmo prazo, liquidez, emissor e condições, a maior taxa entrega mais rendimento. O problema é que essas características raramente são todas iguais.

Um CDB que paga 120% do CDI pode:

  • não permitir retirada antes do vencimento;
  • ter prazo promocional muito curto;
  • ser emitido por uma instituição com maior risco de crédito;
  • possuir limite máximo de aplicação;
  • estar disponível apenas para novos clientes;
  • exigir alguma condição para liberar a taxa anunciada.

Antes de investir, verifique o vencimento, a liquidez, o banco emissor, a cobertura do FGC e a data em que pretende usar o dinheiro. A própria B3 destaca que o risco do CDB está relacionado à solidez do banco e que produtos de prazo mais longo podem não oferecer liquidez antecipada.

Para uma reserva de emergência, um CDB de 100% do CDI com liquidez diária pode ser mais adequado do que uma oferta de 120% que mantém o dinheiro preso. Para um objetivo com data conhecida, um título sem liquidez diária pode fazer sentido, desde que o vencimento esteja alinhado ao planejamento.

Como funciona a garantia do FGC?

Ilustração de escudo protegendo um CDB emitido por uma instituição financeira.
Crédito: CDBs elegíveis podem contar com a cobertura do FGC, respeitando os limites e as condições aplicáveis. Imagem ilustrativa criada com auxílio de inteligência artificial.

Ao comprar um CDB, o investidor empresta dinheiro para a instituição emissora. Por isso, existe o risco de o banco enfrentar problemas para devolver os recursos.

Os CDBs elegíveis de instituições associadas contam com a garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos. O limite é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, considerando o principal e os rendimentos. Também existe um teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas dentro de um período de quatro anos.

Esses limites são informados pelo próprio FGC. Na simulação, o investimento inicial de R$ 100 mil está abaixo do limite individual, desde que o investidor não possua outros saldos cobertos no mesmo conglomerado que façam o total ultrapassar R$ 250 mil.

FGC e liquidez são coisas diferentes. A cobertura trata do risco de crédito da instituição. A liquidez indica quando o cliente consegue resgatar o investimento normalmente.

R$ 100 mil são suficientes para viver de renda?

No cenário de 100% do CDI, R$ 100 mil gerariam aproximadamente R$ 845 líquidos em 30 dias. Para a maioria das famílias, esse valor não paga todas as despesas mensais.

Além disso, a taxa CDI poderá cair ou subir. Não é prudente montar um orçamento permanente supondo que o rendimento observado em um único mês continuará igual por muitos anos.

Também existe a inflação. Se o investidor retirar todos os rendimentos e mantiver o patrimônio sempre próximo de R$ 100 mil, esse valor poderá comprar menos produtos e serviços no futuro.

Quem ainda está construindo patrimônio pode reinvestir parte ou todo o rendimento para fortalecer os juros compostos. Viver de renda exige considerar inflação, impostos, variação das taxas, reserva para imprevistos e duração do patrimônio.

Quanto rendem valores menores?

Nas mesmas condições da simulação de 100% do CDI, os resultados são aproximadamente proporcionais:

Valor investidoRendimento líquido em 30 dias
R$ 500R$ 4,23
R$ 1.000R$ 8,45
R$ 1.500R$ 12,68
R$ 10.000R$ 84,51
R$ 50.000R$ 422,57
R$ 100.000R$ 845,13

Os valores menores podem parecer pouco expressivos, mas a construção dos primeiros R$ 100 mil normalmente depende mais dos aportes e da constância do que do rendimento de um único mês.

Conclusão: quanto rendem R$ 100 mil no CDB?

Em um período hipotético de 30 dias corridos e 21 dias úteis, com CDI de 13,90% ao ano, R$ 100 mil renderiam aproximadamente:

  • CDB de 100% do CDI: R$ 845,13 líquidos;
  • CDB de 110% do CDI: R$ 930,13 líquidos;
  • CDB de 120% do CDI: R$ 1.015,21 líquidos.

A maior taxa produz o maior rendimento na simulação, mas não deve ser o único critério. Prazo, liquidez, emissor, cobertura do FGC e objetivo do dinheiro são igualmente importantes.

Esta matéria tem finalidade educativa e não representa recomendação de investimento. Os resultados são simulações brutas e líquidas baseadas nas premissas descritas. Taxas, impostos, quantidade de dias úteis e condições dos produtos podem mudar.

Fontes consultadas: Banco Central do Brasil, B3 Educação, Bora Investir e Fundo Garantidor de Créditos. Informações e cálculos verificados em 30 de agosto de 2026.

Redação GranAlta
Redação GranAlta

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