Bradesco fecha 324 agências e reduz quadro em 2,4 mil postos em 12 meses

Banco encerrou junho com 79,7 mil funcionários e afirma que a reorganização acompanha o avanço dos canais digitais; lucro recorrente chegou a R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026
O Bradesco chegou ao fim de junho de 2026 com 324 agências e 2.448 postos de trabalho a menos do que tinha um ano antes. Os dados foram reunidos pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região a partir das informações divulgadas pelo banco em seu balanço trimestral.
Os números precisam ser observados com atenção: a redução de agências e de postos corresponde à comparação entre junho de 2025 e junho de 2026, e não somente às mudanças ocorridas nos primeiros seis meses deste ano. Já o lucro de R$ 13,861 bilhões se refere ao primeiro semestre de 2026.
O movimento evidencia a transformação da estrutura dos grandes bancos, que vêm reduzindo a presença física ao mesmo tempo que ampliam os serviços oferecidos por aplicativos, internet banking e correspondentes bancários.
Bradesco encerrou junho com 79,7 mil funcionários
O banco terminou o primeiro semestre com 79.699 funcionários, sendo 67.954 bancários, segundo o levantamento do sindicato. Na comparação com junho do ano passado, o quadro total apresentou redução líquida de 2.448 postos.
Somente no segundo trimestre de 2026, entre abril e junho, o saldo entre admissões e desligamentos de bancários foi negativo em 868 vagas.
A diminuição líquida do quadro não significa necessariamente que todos os postos foram eliminados por demissões diretas. O número também pode refletir aposentadorias, pedidos de desligamento e vagas que deixaram de ser repostas. O Bradesco nega que mantenha um programa de demissões em massa.
De acordo com a instituição, os ajustes de pessoal são realizados de maneira planejada e priorizam, sempre que possível, a transferência interna, a mobilidade profissional e o reposicionamento dos trabalhadores. O banco também afirma manter iniciativas de qualificação e preparação dos funcionários para as mudanças no mercado financeiro.

Rede física ficou menor
No mesmo intervalo de 12 meses, o Bradesco encerrou 324 agências. A instituição afirma que a revisão da rede considera a procura pelo atendimento presencial, o comportamento dos clientes, a utilização dos canais digitais em cada localidade e fatores operacionais.
Segundo o banco, aproximadamente 98% das transações já são realizadas pelos meios digitais. A redução das operações presenciais, portanto, faria parte da adaptação do modelo de atendimento a uma realidade na qual o celular se tornou o principal canal de relacionamento com o cliente.
O Bradesco ressalta que o fechamento de uma unidade não representa o encerramento de todo atendimento presencial na região. Os clientes podem ser direcionados para agências próximas, correspondentes da rede Bradesco Expresso e canais digitais.
Ainda assim, o impacto pode ser maior para idosos, pessoas com pouca familiaridade com aplicativos, moradores de municípios menores e clientes que precisam resolver operações mais complexas presencialmente.

Número de clientes cresceu apesar da redução
Enquanto reduziu a estrutura física e o quadro de pessoal, o Bradesco ampliou sua base em cerca de 300 mil clientes em 12 meses, alcançando aproximadamente 110,4 milhões, conforme dados citados pelo Sindicato dos Bancários.
Para a entidade, o avanço do número de clientes combinado à redução de funcionários e agências pode aumentar a sobrecarga das equipes e dificultar o acesso ao atendimento presencial. O sindicato defende a preservação dos empregos e cobra melhores condições de trabalho para os profissionais que permanecem na instituição.
O banco, por sua vez, sustenta que os canais físicos e digitais funcionam de forma complementar e que a reorganização busca adequar a operação às novas formas de utilização dos serviços financeiros.
Lucro do Bradesco cresceu no primeiro semestre
A redução da estrutura ocorreu em um período de crescimento dos resultados financeiros. O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026, avanço de 16,2% em relação ao mesmo período de 2025.
No segundo trimestre, o lucro recorrente ficou próximo de R$ 7,1 bilhões, marcando o décimo trimestre consecutivo de crescimento do resultado. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio chegou a 16,2% no trimestre.
A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,137 trilhão em junho, aumento de 11,6% em 12 meses. O crescimento foi registrado tanto nas operações destinadas a pessoas físicas quanto no crédito para empresas.
Os dados mostram que a redução de agências acontece em meio a uma estratégia de eficiência e transformação digital, e não em um cenário de prejuízo. O desafio para o banco será conciliar o controle de custos com a manutenção da qualidade do atendimento e a inclusão dos clientes que ainda dependem dos canais presenciais.
O que muda para os clientes?
O fechamento de uma agência não significa que as contas vinculadas a ela serão encerradas. Entretanto, a unidade responsável pelo atendimento pode ser alterada, e determinados serviços presenciais podem passar a ser oferecidos em outro endereço.
Clientes de uma agência afetada devem verificar as comunicações oficiais enviadas pelo banco e consultar o aplicativo, o site ou a central de atendimento para confirmar:
- qual unidade passará a atender a conta;
- onde serão realizados depósitos, saques e outros serviços presenciais;
- se haverá mudança em informações relacionadas à agência;
- quais operações podem ser concluídas pelo aplicativo;
- quais correspondentes Bradesco Expresso estão disponíveis na região.
Também é importante desconfiar de mensagens que utilizem o fechamento de agências como justificativa para pedir senha, código de segurança, instalação de aplicativos ou transferência de dinheiro. O banco não solicita senhas completas nem determina transferências para supostamente atualizar uma conta.
Transformação digital deve continuar
A redução da rede do Bradesco faz parte de uma mudança mais ampla no setor financeiro. Com a maioria das operações migrando para o celular, as instituições vêm redesenhando agências, automatizando processos e concentrando o atendimento presencial em menos unidades.
Para os bancos, esse modelo reduz despesas e permite atender um número maior de clientes por canais digitais. Para trabalhadores e consumidores, porém, a transição levanta discussões sobre emprego, sobrecarga, segurança digital e acesso a serviços financeiros em locais onde a presença física está diminuindo.
O avanço tecnológico tende a continuar, mas a eficiência obtida com os aplicativos precisará ser acompanhada de alternativas acessíveis para quem ainda necessita de atendimento presencial.
Fontes consultadas
- Central de Resultados do Bradesco
- Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
- Reportagem publicada pelo portal iG




