Investimentos prefixados e pós-fixados: entenda como funcionam e quanto rendem

Quem começa a investir em renda fixa rapidamente encontra expressões como “13% ao ano”, “100% do CDI” e “IPCA mais uma taxa”. Embora pareçam complicadas, elas apenas indicam como o rendimento será calculado.

Os investimentos prefixados possuem uma taxa definida no momento da aplicação. Nos pós-fixados, a remuneração acompanha um indicador, como CDI ou Selic. Também existem os títulos híbridos, que combinam inflação e uma taxa fixa.

Entender essas diferenças é fundamental para escolher um investimento adequado ao prazo e ao objetivo do dinheiro.

Como funcionam os investimentos prefixados?

No investimento prefixado, a taxa de juros é conhecida desde o início.

Um CDB que paga 13% ao ano, por exemplo, continuará oferecendo essa taxa até o vencimento, mesmo que a Selic suba ou caia durante o período.

Ao investir R$ 10 mil durante um ano, o resultado aproximado seria:

  • Valor investido: R$ 10.000;
  • Rendimento bruto: R$ 1.300;
  • Saldo bruto: R$ 11.300;
  • Imposto de Renda de 17,5% sobre o rendimento: R$ 227,50;
  • Saldo líquido estimado: R$ 11.072,50.

A simulação considera um prazo superior a 360 dias e não inclui eventuais tarifas.

Para conhecer suas características, veja também nosso guia sobre CDB: o que é, como funciona e quais são os riscos.

Quais são os principais investimentos prefixados?

Entre os produtos que podem oferecer rentabilidade prefixada estão:

  • Tesouro Prefixado;
  • CDB prefixado;
  • LCI e LCA prefixadas;
  • Letras de câmbio;
  • Debêntures;
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários — CRI;
  • Certificados de Recebíveis do Agronegócio — CRA.

O fato de dois produtos oferecerem a mesma taxa não significa que possuam os mesmos riscos. É necessário comparar a instituição emissora, o vencimento, a possibilidade de resgate, a tributação e a existência ou não de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

O prefixado pode perder dinheiro?

O investidor que mantém o título até o vencimento recebe a rentabilidade contratada, desde que o emissor cumpra suas obrigações.

O problema pode aparecer quando o dinheiro é retirado antecipadamente. O preço de alguns títulos oscila diariamente por causa da marcação a mercado.

No Tesouro Prefixado, a relação costuma funcionar assim:

  • Quando os juros do mercado caem, o título comprado anteriormente tende a se valorizar;
  • Quando os juros sobem, o preço do título tende a cair;
  • No vencimento, prevalece a taxa contratada na compra.

Imagine que você comprou um título pagando 13% ao ano. Algum tempo depois, novos títulos semelhantes começaram a oferecer 15%. O seu investimento antigo se tornou menos atraente e poderá valer menos caso seja vendido antes do vencimento.

Isso não significa necessariamente uma perda definitiva. Se o título for mantido até o final, a remuneração contratada será preservada.

Quando o prefixado pode fazer sentido?

O investimento prefixado pode ser interessante quando as taxas estão elevadas e o investidor acredita que os juros poderão cair.

Ele também pode ser utilizado quando existe uma data definida para utilizar o dinheiro, desde que o vencimento do título esteja alinhado com esse objetivo.

O prefixado exige mais atenção quando:

  • O investidor pode precisar resgatar antes do vencimento;
  • A inflação pode ficar acima do esperado;
  • O prazo da aplicação é muito longo;
  • O título possui baixa liquidez;
  • O emissor apresenta risco de crédito elevado.

Como funcionam os investimentos pós-fixados?

Nos investimentos pós-fixados, o investidor conhece a regra de remuneração, mas não sabe exatamente qual será o valor final.

Um CDB de 100% do CDI acompanhará as variações desse indicador. Se o CDI subir, o rendimento aumenta. Se o CDI cair, o investimento passará a render menos.

O mesmo acontece com o Tesouro Selic, cuja rentabilidade está ligada à taxa básica de juros da economia.

Quais são os principais investimentos pós-fixados?

Os principais exemplos são:

  • Tesouro Selic;
  • CDB vinculado ao CDI;
  • LCI e LCA vinculadas ao CDI;
  • Letras de câmbio pós-fixadas;
  • Fundos DI;
  • Debêntures remuneradas pelo CDI;
  • CRI e CRA vinculados ao CDI.

Nos produtos bancários, é comum encontrar ofertas de 90%, 100%, 110% ou 120% do CDI.

Esse percentual indica quanto o investimento acompanha o indicador. Um CDB de 110% do CDI rende 10% mais que um produto que entrega exatamente 100% do CDI, desde que sejam comparados no mesmo período.

Quanto rende 100% do CDI?

Com a Selic em 13,75% ao ano, o CDI tende a permanecer aproximadamente 0,10 ponto percentual abaixo, perto de 13,65% ao ano.

Caso essa taxa permanecesse constante durante um ano, R$ 10 mil investidos em um CDB de 100% do CDI teriam aproximadamente o seguinte resultado:

  • Valor investido: R$ 10.000;
  • Rendimento bruto: R$ 1.365;
  • Saldo bruto: R$ 11.365;
  • Imposto de Renda de 17,5% sobre o rendimento: R$ 237,87;
  • Saldo líquido estimado: R$ 11.126,12.

O ganho líquido seria de aproximadamente R$ 1.126,12.

Essa é apenas uma simulação. Como o CDI é pós-fixado, o resultado real dependerá das taxas vigentes em cada dia do período.

Quanto rende um CDB de 110% do CDI?

Considerando um CDI constante de 13,65% ao ano, um CDB pagando 110% do indicador teria uma rentabilidade bruta aproximada de 15,01% ao ano.

Com R$ 10 mil investidos durante um ano:

  • Rendimento bruto estimado: R$ 1.501;
  • Saldo bruto: R$ 11.501;
  • Imposto estimado: R$ 262,67;
  • Saldo líquido aproximado: R$ 11.238,32.

Uma rentabilidade maior pode vir acompanhada de prazo mais longo, ausência de liquidez ou maior risco da instituição emissora. Por isso, o percentual do CDI não deve ser analisado sozinho.

Quanto rende o Tesouro Selic?

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Se essa taxa permanecesse constante, R$ 10 mil poderiam atingir aproximadamente R$ 11.375 antes dos impostos em um ano.

Confira nosso guia completo sobre Tesouro Selic para quem nunca investiu.

Depois de uma alíquota de 17,5% sobre o rendimento, o saldo ficaria próximo de R$ 11.134.

Na prática, o resultado poderá variar devido às mudanças na Selic, ao preço do título, à taxa de custódia aplicável e ao momento da compra ou do resgate.

O Tesouro Selic apresenta oscilações menores que os títulos prefixados e atrelados à inflação, mas seu preço também pode variar no curto prazo.

Comparação entre prefixado e pós-fixado

Característica Prefixado Pós-fixado
Definição do rendimento Taxa conhecida na contratação Acompanha um indicador
Exemplo 13% ao ano 100% do CDI
Valor final Previsível se mantido até o vencimento Depende das taxas durante o período
Comportamento com queda dos juros A taxa contratada é preservada Passa a render menos
Resgate antecipado Pode causar perdas pela marcação a mercado Geralmente apresenta menor oscilação
Uso comum Objetivos com data definida Reserva e objetivos de curto prazo

Veja também as vantagens e desvantagens de LCI e LCA.

E os investimentos ligados ao IPCA?

Tesouro IPCA+, CDB IPCA+ e algumas debêntures são investimentos híbridos.

Eles combinam a variação da inflação com uma taxa fixa. Um título oferecendo IPCA mais 7% ao ano, por exemplo, busca entregar a inflação acumulada no período acrescida de um ganho real.

Esses títulos são utilizados principalmente em objetivos de longo prazo, como aposentadoria, compra de imóvel e educação dos filhos.

Assim como acontece com os prefixados, uma venda antecipada pode resultar em oscilação ou prejuízo devido à marcação a mercado.

Prefixado ou pós-fixado: qual é melhor?

Não existe uma modalidade que seja sempre melhor.

O pós-fixado costuma ser mais adequado para a reserva de emergência, especialmente quando existe liquidez diária e baixo risco. Como acompanha os juros, ele se adapta às mudanças da Selic.

Antes de escolher uma aplicação, entenda como montar uma reserva de emergência.

O prefixado pode ser interessante para garantir uma taxa elevada até uma data determinada. Porém, o investidor deve estar preparado para manter o título até o vencimento.

Os títulos ligados ao IPCA podem proteger o poder de compra em metas de longo prazo, desde que o prazo seja compatível com o objetivo.

Antes de investir, avalie:

  • Quando o dinheiro será utilizado;
  • Se existe liquidez diária;
  • Qual é o vencimento;
  • Quem é o emissor;
  • Se existe cobertura do FGC;
  • Como funciona a tributação;
  • Quais são os riscos do resgate antecipado.

Entenda como funciona a garantia do FGC e quais investimentos são cobertos.

Taxas maiores normalmente aparecem acompanhadas de prazo mais longo, menor liquidez ou risco de crédito mais elevado.

Conclusão

Nos prefixados, o investidor garante uma taxa no momento da aplicação. Nos pós-fixados, o rendimento acompanha indicadores como CDI e Selic. Já os títulos híbridos combinam inflação e juros fixos.

A escolha não deve ser baseada apenas na maior taxa disponível. O melhor investimento é aquele cujo vencimento, liquidez e risco estão alinhados ao objetivo do dinheiro.

Antes de aplicar, consulte as condições atualizadas do produto e verifique se será possível manter o investimento pelo prazo necessário.

Este conteúdo possui finalidade informativa e educativa. Ele não representa recomendação individual de investimento. Taxas, impostos e condições dos produtos podem mudar.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre investimento prefixado e pós-fixado?

No prefixado, a taxa é definida no momento da aplicação. No pós-fixado, o rendimento acompanha um indicador, como CDI ou Selic.

O investimento prefixado pode perder dinheiro?

Sim, quando é vendido antes do vencimento. A marcação a mercado pode fazer o título valer menos em determinados momentos. Mantido até o vencimento, prevalece a rentabilidade contratada, desde que o emissor cumpra suas obrigações.

Quanto rende R$ 10 mil a 100% do CDI?

Com o CDI estimado em 13,90% ao ano e mantido constante, R$ 10 mil chegariam a aproximadamente R$ 11.390 antes dos impostos em um ano. O resultado real depende das taxas do período.

Quais são os principais investimentos pós-fixados?

Tesouro Selic, CDB, LCI, LCA, letras de câmbio, fundos DI, debêntures, CRI e CRA podem apresentar remuneração pós-fixada.

Qual é melhor: prefixado ou pós-fixado?

Depende do objetivo. Pós-fixados com liquidez diária podem ser adequados para reservas. Prefixados podem ser úteis para garantir uma taxa até o vencimento. A escolha deve considerar prazo, liquidez e risco.

Tesouro IPCA+ é prefixado ou pós-fixado?

O Tesouro IPCA+ é híbrido. Sua remuneração combina a inflação medida pelo IPCA com uma taxa fixa contratada no momento da compra.

Fontes consultadas

Gilberto Vitoria
Gilberto Vitoria

Gilberto Vitoria é jornalista e criador do GranAlta, da GDI Academy e do canal Diário de um Investidor. Produz conteúdos sobre cartões, investimentos e finanças pessoais desde 2019.

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